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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006
Marques Mendes quer julgamento para descobrir a verdade sobre Camarate [06-12-2006]

 Director: José Luís Moreira da Silva
Nº  - 11 Dezembro 2006

     
 
Luís Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa defenderam Segunda-feira, 4 de Dezembro, a realização de um julgamento sobre Camarate, considerando ser uma «vergonha para a democracia» continuar por esclarecer a queda do avião que matou Francisco Sá Carneiro. «Vinte e seis anos depois Camarate está por esclarecer. Há vinte e seis anos que se persegue a verdade. Vinte e seis depois ninguém compreende que tudo esteja por esclarecer», declarou o presidente do PSD, durante um almoço-conferência com jovens, para assinalar o 26.º aniversário do desaparecimento do fundador do Partido Social Democrata.
Qualificando «uma vergonha para a democracia» a queda do avião que matou o então primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e o antigo ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, além do chefe de gabinete do primeiro-ministro, António Patrício Gouveia, assim como dos dois pilotos do aparelho, Marques Mendes reclamou uma vez mais a realização de um julgamento sobre o caso, para resolver «a mancha» que continua a existir na democracia portuguesa.
 
Questionado sobre as negociações entre o PSD e o PS, no âmbito da revisão do regime jurídico dos inquéritos parlamentares, Marques Mendes manifestou existirem já «uma série de contactos e reuniões para encontrar uma solução concreta», para permitir que Camarate vá a julgamento.
 
No âmbito desta questão, o PSD entende que deve ser obrigatória a acusação pelo Ministério Público, quando o Parlamento apurar indícios de crime do qual tenha resultado a morte de uma alta figura do Estado (Presidente da República, presidente da Assembleia da República e primeiro-ministro).
 
Marcelo Rebelo de Sousa, por seu turno, apelou igualmente à necessidade de se realizar um julgamento sobre o caso, considerando que há na opinião pública «o desejo legítimo de saber o que se passou». «A opinião pública sente que era útil que se criassem condições para apurar o que se passou em Camarate», insistiu.
 
Marcelo Rebelo de Sousa recordou ainda Sá Carneiro, como homem e como político, assinalando a sua grande inteligência, lealdade e grande humildade cívica. «Concentrava-se no essencial, não perdia um minuto com o acessório», lembrou, evocando ainda as qualidades invulgares de Sá Carneiro, que era também «um bon vivant» e um homem tímido.
 
Da faceta política de Sá Carneiro, Marcelo Rebelo de Sousa destacou o seu gosto pelas reformas. «Era um reformista que gostava de rupturas. Visceralmente era um reformista, ia até ao limite para fazer as coisas por essa via, mas, se via que assim não dava, fazia a ruptura e quando avançada para a ruptura era de uma coragem ilimitada», recordou, sublinhando que mais de 20 anos após a morte de Sá Carneiro, «o país está a dar-lhe razão».
 

publicado por JSD às 12:42
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